
Lente de contato dental mancha? O que a ciência mostra sobre a cor
Conteúdo revisado pelo Dr. Douglas Mattiollo · Fontes: estudos indexados no PubMed
Neste artigo
Quem está pensando em fazer lentes de contato dental costuma perguntar se a lente mancha com café, chá, vinho ou cigarro. A dúvida é legítima, já que o objetivo do tratamento é manter um sorriso harmônico por muitos anos. A pesquisa odontológica já testou como a cerâmica e os cimentos usados na colagem se comportam diante do tempo e de bebidas pigmentadas. Neste texto, você confere o que os estudos mostram sobre se a lente de contato dental mancha, quais pontos influenciam a mudança de cor e por que a avaliação individual faz diferença.
Lente de contato dental mancha? O que se sabe sobre a cerâmica
A cerâmica odontológica tem uma superfície lisa e vitrificada, que tende a absorver menos pigmentos do que materiais mais porosos, como algumas resinas. Isso não significa, porém, que a cor da lente seja imune a qualquer alteração. A lente é uma lâmina fina, translúcida, e o que se vê no sorriso é o resultado do conjunto: a cerâmica, o cimento que a fixa e o dente que fica por baixo.
Por isso, os estudos costumam avaliar mais de uma variável ao mesmo tempo: o tipo de cerâmica, o cimento resinoso e as condições a que o conjunto é exposto, como bebidas pigmentadas e envelhecimento artificial.
O que acontece quando a lente é exposta ao café
Um estudo laboratorial da Universidade de Mansoura, no Egito, testou lentes de cerâmica para fechamento de diastema, feitas com três materiais: dissilicato de lítio, silicato de lítio reforçado com zircônia e zircônia translúcida[1]. Os conjuntos foram colados com dois cimentos diferentes e depois imersos em solução de café, com medição da cor e da translucidez.
Os principais achados foram:
- o tipo de cerâmica influenciou a mudança de cor após o café: a zircônia translúcida teve a maior alteração, seguida pelo silicato de lítio reforçado com zircônia e, por fim, pelo dissilicato de lítio;
- o dissilicato de lítio foi o material mais resistente ao manchamento pelo café entre os três testados;
- o cimento também importou: o conjunto colado com um dos cimentos mostrou mais resistência à coloração do que o outro;
- em todos os grupos, a diferença de translucidez após o café ficou em nível considerado clinicamente aceitável[1].
Em outras palavras, o café pode alterar a cor em laboratório, e essa alteração varia conforme o material escolhido. Vale lembrar que se trata de um experimento in vitro, em que amostras ficam imersas por tempo controlado, o que não reproduz exatamente a rotina de uma pessoa.
Cimento e passagem do tempo também contam
Outro trabalho, da Universidade Técnica de Karadeniz, na Turquia, investigou como os cimentos resinosos e o envelhecimento por luz ultravioleta afetam a cor de lentes de cerâmica[2]. Os pesquisadores usaram 392 discos de cerâmica com 0,5 mm de espessura, em diferentes tonalidades, e diversos cimentos.
O envelhecimento causou mudança de cor tanto na cerâmica sozinha quanto na cerâmica cimentada. A alteração foi de 0,8 a 1,2 ΔE nos discos de cerâmica e de 1,4 a 3,1 ΔE nos discos cimentados. Os autores avaliaram que essas variações ficaram em um nível aceitável do ponto de vista clínico (abaixo de 3,5 ΔE). Também não encontraram diferença no comportamento de cimentos fotopolimerizáveis e duais nessa condição[2].
Segundo os estudos, a cor de uma lente depende do conjunto formado por cerâmica, cimento e dente, e não apenas da cerâmica isolada.
O que isso quer dizer na prática? Que a escolha dos materiais é uma decisão técnica, tomada no planejamento, e que o cimento faz parte do resultado estético ao longo do tempo.
O que os acompanhamentos clínicos registram
Os experimentos de laboratório ajudam a entender mecanismos, mas o que acontece na boca de pacientes acompanhados por anos é outro tipo de evidência. Uma revisão sistemática com metanálise da Universidade Aristóteles de Tessalônica, na Grécia, reuniu nove estudos clínicos de lentes de cerâmica feldspática e vitrocerâmica com acompanhamento mínimo de cinco anos[3].
Os autores concluíram que as lentes tiveram sobrevida clínica adequada e taxas de complicação muito baixas. A complicação mais frequente foi a descoloração marginal, ou seja, um escurecimento na linha de união entre a lente e o dente, em cerca de 9% dos casos em cinco anos, seguida por problemas de integridade marginal. A revisão também aponta que nenhum estudo comparou diretamente os diferentes materiais, e que não houve diferença estatística entre as cerâmicas analisadas[3].
Esse dado merece atenção: quando algo muda de cor com o tempo, costuma ser na margem da lente, e não na superfície da cerâmica. Por isso, a higiene dessa região e as consultas de acompanhamento têm papel importante.
Hábitos que merecem atenção no dia a dia
Com base no que a literatura descreve, alguns cuidados fazem sentido para quem usa lentes ou pretende usar:
- higienizar bem a região da gengiva e a margem das lentes, com escovação cuidadosa e fio dental;
- escovar os dentes ou enxaguar a boca após bebidas muito pigmentadas, como café, chá-preto e vinho tinto;
- evitar o cigarro, que também contribui para o acúmulo de pigmentos e afeta a saúde da gengiva;
- manter as consultas de revisão e limpeza profissional nos intervalos indicados pelo dentista.
Mais orientações estão no artigo sobre cuidados com as lentes de contato dental no dia a dia.
E o clareamento: ele muda a cor da lente?
Esta é uma dúvida comum. De forma geral, os agentes clareadores atuam nos dentes naturais, e não alteram a cor da cerâmica. Por isso, quando há interesse em clarear os dentes, o planejamento costuma prever essa etapa antes da confecção das lentes, para que a cor escolhida seja compatível com o resultado final. Se quiser entender melhor, leia sobre o clareamento antes das lentes.
Por que a avaliação individual faz diferença
A possibilidade de mudança de cor depende do material escolhido, do cimento, da cor do dente de base, dos hábitos de cada pessoa e da higiene. Nenhum estudo permite prometer como será a evolução em um caso específico. Por isso, o Dr. Douglas Mattiollo conduz uma avaliação individual, com exame clínico e planejamento digital, para indicar o caminho mais adequado a cada paciente. Para conhecer a técnica, veja a página de lente de contato dental.
Conclusão
A lente de contato dental pode sofrer alguma alteração de cor ao longo do tempo, e os estudos mostram que isso depende do tipo de cerâmica, do cimento e dos hábitos de cuidado. Em laboratório, o café alterou mais a cor de alguns materiais do que de outros, e nos acompanhamentos clínicos a mudança mais citada foi a descoloração na margem. Entender esses fatores ajuda a tomar decisões informadas e a manter uma rotina de cuidados adequada. Para saber o que faz sentido no seu caso, o ideal é agendar uma avaliação com o Dr. Douglas Mattiollo.
Perguntas frequentes
A lente de contato dental mancha com café?
Em estudo de laboratório, o café alterou a cor de lentes de cerâmica, e a intensidade variou conforme o material e o cimento. A rotina real de cada pessoa é diferente, por isso a avaliação é individual.
A cerâmica muda de cor com o tempo?
Estudos de envelhecimento artificial registraram pequenas variações de cor, consideradas clinicamente aceitáveis pelos autores. O resultado depende do conjunto de cerâmica, cimento e dente.
O clareamento clareia a lente?
Em geral, o clareamento atua nos dentes naturais e não altera a cerâmica. Por isso ele costuma ser planejado antes da confecção das lentes.
Que cuidados ajudam a manter a cor?
Higiene cuidadosa da margem junto à gengiva, enxágue após bebidas pigmentadas, evitar cigarro e manter as consultas de revisão e limpeza profissional.
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Referências científicas
- Elkhishen EA, Al-Zordk W, Hassouna M, Elsherbini A, Sakrana AA. Effect of ceramic and resin cement type on color stability and translucency of ceramic laminate veneers for diastema closure: an in vitro study. Sci Rep. 2022. PubMed 36543821↩
- Turgut S, Bagis B. Colour stability of laminate veneers: an in vitro study. J Dent. 2011. PubMed 22101122↩
- Petridis HP, Zekeridou A, Malliari M, Tortopidis D, Koidis P. Survival of ceramic veneers made of different materials after a minimum follow-up period of five years: a systematic review and meta-analysis. Eur J Esthet Dent. 2012. PubMed 22645729↩
- CRO 23441
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Conteúdo educativo, não substitui consulta. Indicação e resultado dependem de avaliação individual.
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